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Pesquisa mostra que 82% dos latino-americanos estão satisfeitos com trabalho
 
da Folha Online

Pesquisa Gallup realizada em 24 países aponta que a maioria, 82%, dos latino-americanos está feliz com seu trabalho, mesmo diante do aumento na informalidade na última década.

O número é maior do que em países com alta renda per capita, como o Japão e a Coréia do Sul, onde 78% dos entrevistados disseram estar satisfeitos com seu trabalho. A sondagem, realizada a pedido do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), surpreendeu a organização que esperava números muito menores já que um quarto da população da região recebe menos do que o mínimo necessário para escapar da pobreza e do aumento da proporção de pessoas que trabalham informalmente.

Na lista, a Guatemala aparece no topo com cerca de 95% dos entrevistados indicando estar satisfeitos com seus trabalhos e uma taxa de informalidade de cerca de 65%. Em segundo lugar aparece a Costa Rica, que tem o segundo menor índice de informalidade da região (perde em informalidade apenas para o Chile, que, em compensação, é o terceiro país com menor índice de satisfação com o trabalho).

O Brasil aparece em quatro lugar, com um índice de satisfação de cerca de 90%. Nas últimos posições estão o Peru e a República Dominicana, com cerca de 75% e 70% de taxa de satisfação entre os entrevistados, respectivamente.

Para o BID, a aparente contradição entre a satisfação com emprego e as condições de trabalho reflete o "maior valor que a maioria dos latino-americanos dão à flexibilidade e desenvolvimento de habilidades pessoais".

Na América Latina, a pesquisa aponta também que a um maior número de empregados que preferiam ser autônomos do que autônomos que preferiam ser funcionários de uma empresa. Este cenário pode explicar o motivo do descontentamento maior entre os empregados de pequenas firmas do que entre os autônomos.

O estudo apontou ainda que apenas empregados com altos níveis de escolaridade valorizam previdência social e outros benefícios trabalhistas, indicando, segundo o relatório do BID, a necessidade de se repensar a política trabalhista da maioria dos países da região que focam mais na previdência que nas condições e oportunidades de trabalho.

Urbanismo e criminalidade

A satisfação dos latino-americanos com seus empregos pode ser reflexo da melhor condição de vida nos centros urbanos da região. Embora o processo de crescimento urbano tenha sido rápido na América Latina e Caribe, a maioria dos países garantem habitação e serviços à maioria da população.

Segundo a pesquisa, duas em cada três famílias têm casa própria, número que reduz, mas continua maioria, entre as famílias pobres. Entre as famílias que vivem nas cidades, aponta o estudo, 95% têm acesso à eletricidade e mais de 85% têm água limpa e telefone.

O resultado disso é que 80% dos entrevistados se disseram satisfeitos com suas casas e cidades, embora a maioria aponte problemas a serem resolvidos.

E o maior destes problemas é a criminalidade. O tema é uma das maiores preocupações dos latino-americanos e caribenhos que afirmaram em sua maioria (60%) que não se sentem seguros ao andar sozinhos à noite --a maior porcentagem entre todas as regiões do mundo.

A maior porcentagem de pessoas preocupadas com a criminalidade está no Uruguai, onde pouco mais de 60% indicam o tema como um dos principais problemas. Ao contrário do esperado, o país tem comparativamente os menores índices de líderes políticos que consideram o tema prioritário e uma das menores taxas de homicídios.

Em segundo lugar fica a Argentina, com uma diferença de apenas um ponto percentual e o Brasil, onde pouco menos de 60% citam a criminalidade como prioridade.

O último país da lista é El Salvador, com pouco mais de 30% indicam a criminalidade como uma das principais preocupações e onde há o maior número (cerca de 80%) de políticos que têm na criminalidade sua prioridade de trabalho.

"O aumento das taxas de desemprego produzido pela desaceleração do crescimento pode desencadear conflitos nas cidades [centros urbanos], lar de 77% da população da região", explica Eduardo Lora, economista-chefe do BID e coordenador do estudo.

O estudo foi baseado em pesquisas do instituto Gallup realizadas entre novembro de 2005 e dezembro de 2007, com 40 mil pessoas de 24 países. A margem de erro varia de 3,1 pontos percentuais a 5,1 pontos percentuais, dependendo de cada país.

Fonte: Folha Online
 
 
 
 
     
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